Enquanto os estudantes retornavam às salas de aula, após 115 dias de greve dos professores, os pais penavam na fila do Posto Central do Bolsa Família, na Sete Portas. Recebi uma carta dizendo que meu filho não estava comparecendo ao colégio. Mas claro! Se os professores estavam em greve?, questiona a empregada doméstica Margarida Fernandes, mãe de Mariane Fernandes Lima, 11, da Escola Estadual Maria Constância, em Mata Escura.
Assim como ela, cerca de 14,7 mil famílias baianas tiveram o benefício do Bolsa Família bloqueado, em julho, por falta de informação correta sobre a escola dos jovens. Ao contrário do que muitos pais pensavam, o bloqueio não teve relação com a greve, conforme garantiu a coordenadora do Bolsa Família na Bahia, Luciana Santos. Neste período, os municípios justificaram ausência involuntária ao programa para que os alunos não fossem lesados. Só na faixa etária dos 16 e 17 anos são 7,8 mil alunos. Nesses casos, a família perde a parcela referente a cada um deles, que pode ser de R$ 38 ou R$ 76.
Os pais desses estudantes devem procurar regularizar a situação no Posto central do Bolsa Família, na Avenida Djalma Dutra, na Sete Portas, até o dia 31 deste mês. Devem apresentar comprovantes emitidos pelas instituições de ensino que confirmem a presença de jovens e das crianças nas salas de aula.
No Brasil, cerca de 370, 8 mil famílias tiveram o benefício do Bolsa Família bloqueado, devido à falta de informação.
Professores de luto
Para os professores do Colégio Raphael Serravale, embora as salas estivesses cheias, ainda não há motivos para comemorar. Informações da direção atestaram que todos os professores compareceram no primeiro dia, mas o clima de insatisfação com o desfecho do movimento foi geral. Vestida de preto, simbolizando luto pela educação, a professora de geografia Lúcia Serafim afirmou que, mesmo com a suspensão da greve, os professores continuam mobilizados e buscam uma negociação favorável. Ainda estamos em estado de greve. Aceitamos retornar às aulas em respeito aos nossos alunos.
Atividades até março
O Colégio Raphael Serravale foi apenas uma das 1.411 unidades que funcionaram normalmente ontem, de acordo com a assessoria da Secretaria de Educação do Estado. A SEC garante que, com as aulas de reposição, cerca de 1.200 escolas vão encerrar o ano letivo até janeiro, cerca de 200 no final de fevereiro de 2013 e algumas, no máximo, até o dia 4 de março. Por conta das aulas de reposição aos sábados e nos meses de janeiro e fevereiro, a aluna da 5° série, Geovana Conceição, pensou em abandonar a escola e repetir o ano. Ela conta que o deslocamento fora dos dias normais acarretará um custo maior no orçamento doméstico, pois como reside no bairro Marechal Rondon, precisará pagar transporte nos períodos que seriam de férias. Não sei se virei às aulas de reposição. Não por causa da aula, mas porque acho que vai ser só enrolação e vamos acabar gastando dinheiro à toa.