Além da dor de ter a segunda filha estuprada por um familiar, a diarista Ana Paula de Jesus da Silva, 32, chora pelas palavras duras de duas amigas e policiais que atribuíram a ela a culpa pela violência sexual sofrida pela filha de 14 anos. A menina, que era abusa pelo padastro há cerca de um ano, está grávida de cinco meses de um menino. Eu sempre perguntava, mas ela não dizia. Não parecia.
O agressor, o pedreiro Gilmar Conceição, 32, foi transferido, ontem, para o Presídio Salvador. Ele foi preso, no sábado (11), por policiais da 13ª DT (Cajazeiras) e militares, após denúncia de uma amiga da família. A vizinha Agda das Virgens, 71, sabia que Gilmar já havia tentado seduzir a filha mais velha da companheira e foi flagrado beijando a de 14. Fiquei de olho e estranhei as mudanças no corpo e comportamento da menina. Quando Gilmar me falou sobre a gravidez, pressionei ele e chamei a polícia, contou.
Visivelmente assustada, a jovem contou porque escondeu tudo. Ele falava para eu não chorar porque minha mãe ia acordar cedo para trabalhar. Para mim, isso era uma ameaça, porque me preocupo com ela. A mãe descobriu o abuso em 18 de julho. Após a confirmação da gravidez por exames, a filha falou. Mas, a mãe se calou. Tinha medo de tudo isso que está acontecendo. Vergonha. Todo mundo dizendo que eu fui culpada, disse, aos prantos. A filha mais velha, que hoje tem 16 anos, foi estuprada há cinco pelo pai.