Um laboratório de refino de drogas foi desmanchado ontem durante uma operação conjunta entre policiais civis e militares, na localidade de Manguinhos, na Avenida Vasco da Gama. O laboratório funcionava em três imóveis, nos quais os policiais apreenderam mais de 50 Kg de drogas, entre maconha, pasta-base de cocaína e crack. De acordo com estimativa da Polícia Militar (PM), o prejuízo para a boca foi de pelo menos R$ 400 mil. Armas, materiais usados no refino da cocaína e crack e R$ 4.622 também foram apreendidos.
Cinco pessoas suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas da região foram presas durante a ação. Entre elas, Ademir América da Silva, 35 anos, e Fábio Bittencourt da Anunciação, 29, apontados pela polícia como líderes do tráfico na localidade.
O tráfico dessa região é comandado por apenas uma facção, a do traficante conhecido como Ricardo Cabeção. Ademir e Fábio trabalham para ele e também comandam aqui, afirmou o coordenador de investigação da 6ª DT, Paulo Portela.
De acordo com ele, as investigações mostram que o refino nas três residências seria feito por apenas uma pessoa. Ele não é o dono. É um cara que, segundo as investigações, pagou cerca de R$ 20 pelo curso de refino em São Paulo, informou Portela.
Os outros presos foram Júlio Hugo Gomes dos Santos, 29, e Emerson Darlan Nascimento, 18. Eles negam qualquer envolvimento com o crime.
Espaço para o crime
Uma das casas onde funcionava o laboratório fica ao final de uma escada, no alto, na Rua José Ramos. No imóvel de dois cômodos, além de uma cozinha e um banheiro, não havia móveis ou similares. Apenas drogas, armas, produtos e equipamentos usados no refino como três micro-ondas e uma batedeira industrial. Os policiais encontram, inclusive, uma ligação de energia elétrica clandestina, o popular gato. Eles usam muito maquinário e a luz normal não suporta, informou Paulo Portela. Segundo a polícia, incensos eram acessos durante o refino para camuflar o cheiro das drogas.
Acusados negam tudo
Segundo a polícia, Fábio foi preso com uma pistola e os R$ 4.622. Ele nega. Não tenho nada com isso. Sou morador daqui. Não sei de nada, defende-se. Ele foi preso, em 2009, por tráfico. Passou nove meses em cana e diz que atualmente vive do trabalho como auxiliar de chapista. Já Ademir gritava na 6ª DT: Não fui pego com arma nem droga. Sou cidadão. Não vou assumir nada. Os dois, conforme a polícia, são acusados de participação em diversos homicídios na região. As drogas fabricadas nesses imóveis eram distribuídas para o Engenho Velho de Brotas, Bariri, além do próprio Manguinhos, afirma o major PM Washington. A operação contou com a participação dos policiais da 6ª DT (Brotas), 7ª DT (Rio Vermelho) e Grupamento Gemeos da PM.