Nas Ruas

Seg, 08/10/2018 | Atualizado em: 08/10/2018 às 07h05


Nas Ruas

Dedo certo Biometria gera filas, mas dá segurança

Raul Aguilar
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A primeira eleição com o uso obrigatório da biometria foi marcada por filas, reclamações e a crença que, com a prática, o processo eleitoral se tornou mais seguro.

O profissional liberal Marivan Ferraz dos Santos, 27 anos, votou no Colégio Estadual da Bahia, o antigo Central, no bairro de Nazaré, e afirmou que, mesmo efetuando o recadastramento logo no início do processo, a sua digital não foi reconhecida na urna.

"A máquina não conseguiu reconhecer a minha biometria. Toda vez que colocava o dedo dava falha na comunicação. Eu tentei umas cinco vezes, até que o mesário me mandou assinar uma lista, enquanto ele autenticava minha situação no sistema para eu poder votar", contou Santos.

O profissional liberal ficou incomodado com a situação e afirmou que o caso foi recorrente em seu colégio eleitoral. "Eu não entendo como o TRE gastou tanto dinheiro para fazer esse recadastramento e, quando chega na hora, não funciona. Só na minha seção eu contei quatro pessoas que não conseguiram votar utilizando a biometria e tiveram que assinar o papel como em outras eleições", reclamou Marivan.

A dona de casa Cristiane Otero Porto, 42, votou no Colégio Estadual Visconde de Mauá, em São Cristóvão, e reclamou da burocracia. Ela achou que isso acabaria com o recadastramento e o uso da biometria. "Quando eu fui votar, eu mostrei o título digital pelo celular e, ainda assim, o mesário me pediu o título impresso. Eu achei que, com o recadastramento e a propaganda que foi feita para esse aplicativo, isso não iria acontecer, mas, parece que alguns mesários não conhecem esse aplicativo", afirmou a dona de casa.

São Cristóvão, Nazaré, Canela, Fazenda Grande do Retiro, Cabula e Ribeira foram alguns dos bairros onde a lentidão para a confirmação do voto via digital provocou filas.

Para os idosos, a situação foi mais complicada. A aposentada Maria dos Santos Silva, 65, afirmou que demorou mais para conseguir sua autenticação do que para efetuar o voto.

"Minha digital não estava registrando. Tive que limpar bem o dedo para pegar. Foram umas três tentativas até a máquina aceitar. Depois, votei em um minuto. Já sabia em quem ia votar", afirmou a aposentada.

O médico Orlando Colavolpe, 87, afirmou que, mesmo não precisando, por causa da idade, compareceu ao recadastramento biométrico por achar que a prática torna o processo eleitoral mais seguro, apesar de não ter conseguido votar usando o dedo por ter as digitais danificadas.