Nas Ruas

Seg, 04/02/2019 | Atualizado em: 04/02/2019 às 05h07


Nas Ruas

Se Iemanjá não quis, tem quem queira

CATARINA LOPES*
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A praia do Rio Vermelho continuou bastante movimentada na manhã de ontem (3), um dia após a tradicional Festa de Iemanjá. Desde cedo, curiosos, religiosos, envolvidos em projetos sociais e catadores de oferendas dividiram o espaço democraticamente.

Os "garimpeiros" de oferendas estavam de plantão em busca dos 'tesouros' ofertados à Rainha do Mar. Foi o caso dos primos Fábio e Bruno Santos, que aproveitaram o pós-festa para pegar os presentes.

Com uma sacola nas mãos e olhos grudados na areia, Fábio, que pela primeira vez experimentou o garimpo às oferendas, recolheu vários presentes. "Achei corrente, pulseira, espelho", revelou. Ele acredita que os tesouros na praia foram rejeitados por Iemanjá e não viu problema algum em pegá-los. "Vou dar para minha mãe", contou. Além dos catadores de presentes, alguns grupos religiosos estiveram no local para prestar homenagem à Iemanjá um dia após a grande Festa da Rainha do Mar. Washington Alves, que é do candomblé há quase 40 anos, conta que prefere entregar o presente no dia seguinte porque é mais tranquilo. "Entregamos nossas oferendas agora porque no dia 2 aqui fica muito cheio", explicou. O religioso diz não acreditar que os presentes que retornam à praia são rejeitados por Iemanjá. "São colocados no raso, ou de má fé. Quando colocamos nossos presentes com carinho, com amor, Iemanjá aceita", afirmou.

* Sob a supervisão do jornalista Luiz Lasserre