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Ter, 16/04/2019 | Atualizado em: 16/04/2019 às 05h00


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Pra história! "Tia Isaura" é um marco no Leão

Amanda Souza*
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Isaura comenta perspectivas e projetos para o Vitória caso assuma a presidência do Leão - Grupo A Tarde
Isaura comenta perspectivas e projetos para o Vitória caso assuma a presidência do Leão
Grupo A Tarde

 

Eleita ou não, ela já entrou para a história. Primeira mulher a participar, como candidata, do processo político que envolve a concorrência ao cargo de presidente do Vitória, Isaura Maria da Rocha Conceição é um marco importante na trajetória do Leão da Barra.

A relação com o clube é de amor e trabalho. Na década de 60, surgia a Isaura torcedora, que acompanhava o pai, diretor de futebol do clube à época, nos jogos com o time. Tempos depois, o puro amor deu lgar ao compromisso; passou a trabalhar nas divisões de base do Vitória, onde cuidava das jovens promessas, o que lhe rendeu o apelido carinhoso que ainda carrega com orgulho: Tia Isaura.

Numa série de entrevistas especiais com os candidatos a assumir o Conselho Diretor do Vitória, Isaura Maria, da chapa "Vitória, uma História de Amor e Paixão", é a primeira entre os aspirantes a conversar com o Massa! e expor suas propostas e anseios.

 

Qual o sentimento de ser a primeira mulher a registrar candidatura?

Isaura Maria - O mesmo que eu senti quando entrei como repórter. O preconceito é muito grande contra nós mulheres, mas vou fazer do mesmo jeito que fiz no meu trabalho, vou encarar. O Vitória não tem uma diretoria mulher, só tem funcionária. Nós precisamos levar a mulher para dentro do clube, valorizar, nós temos profissionais fantásticas, por que não levar para o clube?

Quais as pretensões do seu projeto de campanha?

IM - Uma organização de gestão. A gente precisa fazer alguma coisa para que o torcedor volte. Apostar no marketing 100% também. Por exemplo, nós temos uma representante mulher fantástica: Ivete Sangalo. Mas você não vê, ela não participa. A concentração do Vitória é fantástica, mas as pessoas não conhecem, então o marketing tem que funcionar, se não, não vai para lugar nenhum.

De que maneira você pretende criar essa valorização do torcedor?

IM - A primeira coisa que vamos fazer é uma sala para receber o torcedor, valorizar ele. Por exemplo, o Vitória é campeão baiano. Quem é que vai entregar a taça? Não é o torcedor, são pessoas que você nunca viu. Então a gente tem que valorizar esse torcedor. Criar uma estrutura no Barradão, naquele estacionamento onde fazem churrasco, melhorar aquilo ali para o torcedor.

Há algum projeto para o Barradão em vista?

IM - Não posso dizer que tenho um projeto para o Barradão. Hoje você tem que ver como está a condição do Vitória. O Vitória não está para festa, não está para fazer nada de modificações. Hoje o que temos lá é satisfatório. O que temos que focar é o futebol, a divisão de base e o marketing.

E a relação do Vitória com a Fonte Nova?

IM - Sou super contra. Nós temos a casa da gente. A Fonte Nova não tem dono, é do estado. No dia que eu quiser jogar lá, é um direito que nos assiste, mas eu tenho minha casa.

As receitas reduziram com o rebaixamento para a Série B. Como reverter?

IM - o Vitória está tão conturbado, que acho que tem que mudar tudo. A primeira partida, logo dois dias depois do presidente tomar posse, tem que ser como está, mas depois é preciso sentar para conversar. Nesse momento eu estou interessada nas eleições, depois vou entender o que posso fazer. É preciso chegar nos jogadores e chamar eles para você, dizer que eles são rubro-negros. Fora isso não tem muito o que fazer.

Quanto ao treinador Claudio Tencati, quais são os planos?

IM - Vamos chamar o treinador para conversar e dar paz para ele. Não há razão para demitir ele nesse momento crucial. Ele vai nos ajudar a implantar nossa filosofia. Ele faz parte dos planos, mas tudo vai depender de nossa conversa.

Por que você merece ser eleita?

IM - Pelo fato de nunca ter visto uma mulher no Vitória. Pela situação que se encontra o meu clube, porque cada vez que eu vejo um jogo do Vitória, é uma batida a menos que tenho no meu coração. Aquilo me dói quando eu vejo, aquele descaso, você não vê alma jogar, entrar, participar. Minha diferença é honestidade, lisura, amor ao clube.