Viver Bem

Qua, 07/08/2019 | Atualizado em: 07/08/2019 às 04h03


Viver Bem

Tela demais é ruim para as crianças

gabriel conceição*
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almassa.com.br

Com o avanço e a facilidade de acesso às tecnologias, crianças e adolescentes têm ficado muito mais tempo conectados nas redes sociais e internet que desconectados. Um levantamento realizado pelo AppGuardian, aplicativo de controle parental, revela que a garotada está passando 25 horas por mês em frente ao YouTube. A pesquisa foi realizada com crianças entre cinco e 15 anos de idade.

Uma outra pesquisa, divulgada em setembro de 2018, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostrou que 85% das crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos são usuárias de internet, o equivalente a 24,7 milhões que estão nesta faixa etária em todo o País.

Essa crescente exposição aos dispositivos de mídia – tablets, notebooks, TVs, celulares – gera um questionamento em relação à vida dos jovens, que pode ser afetada.

"Problemas podem surgir nas mais diversas áreas. Academicamente, a tendência é que a criança passe a ter menos êxito. Afinal, qual a chance de ela preferir estudar ao invés de jogar? No âmbito da saúde (consequências podem incluir menos horas de sono, pois a criança vai dormir muito tarde enquanto joga ou assiste vídeos), a realização de menos atividades físicas, tornando-se sedentárias", disse o psicólogo Bruno Oliveira.

Além disso, nota-se uma associação entre ansiedade e depressão e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos. Para Bruno Oliveira, ao observar que os filhos estão conectados em aparelhos eletrônicos de forma exagerada, os pais devem adotar algumas medidas preventivas de comportamento.

"Se você perceber os sinais, o primeiro passo é observar o comportamento dele dentro de um todo, inclusive considerando a própria interação familiar. É preciso observar se os próprios pais usam em excesso tecnologias quando estão na presença das crianças (elas aprendem por 'imitação' de modelos). Se isso for constatado, deve-se mudar tais padrões e criar regras para si e para a criança. Regras de limitação de uso das tecnologias são muito importantes", concluiu o psicólogo.

Além da intervenção em relação ao uso excessivo, tem que haver comunicação e consistência, pois é preciso que a criança entenda os motivos e os benefícios da regra.

*Sob a supervisão do jornalista Tiago Lemos