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Qua, 11/09/2019 | Atualizado em: 11/09/2019 às 08h38


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Flávio Volante analisa “momento mágico”

Rafael Tiago Nunes
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Pode-se dizer que tudo tem conspirado a favor do volante Flávio. Com 23 anos de idade e, após um período de oscilação e improvisações, o jogador é titular há oito partidas no time do técnico Roger Machado. Por acaso ou não, é o mesmo período de invencibilidade do Bahia na Série A. Com contrato até dezembro de 2020, o camisa 5 se diz orgulhoso e garante que o elenco está pronto para lutar por uma vaga na Taça Libertadores da América do próximo ano.

Você é titular do Bahia há oito jogos, exatamente o período de invencibilidade da equipe na Série A. Como você definiria o seu atual momento?

Flávio - Cara, é um momento mágico! Fase incrível! Trabalhei muito para conquistar isso, para chegar à fase que vivo hoje. Estou feliz com meu momento e procurando evoluir a cada jogo, a cada treino. Desde que virei titular, não perdemos. Isso é incrível, me dá mais confiança, dá mais confiança para o grupo. Quebramos um tabu contra o Vasco [o Bahia não ganhava do time carioca no Rio de Janeiro desde 2012], batemos o recorde de pontos do Bahia no 1º turno do Brasileirão [já está com 30, a melhor campanha tinha sido em 2018, quando fez 25]. Tem essa coincidência de que desde a minha entrada o Bahia não perde. Mas é fruto do trabalho, não só meu, mas de todos do clube. É só coincidência, o grande mérito é do grupo.

E o que o torcedor por esperar do time? Já chegou ao limite ou isso é apenas o início de uma nova era no Bahia?

Flávio - Ainda temos o Fortaleza no domingo. Não acaba por aí. Será um jogo difícil, mas vamos buscar os três pontos, pois sabemos do nosso potencial, da nossa força e vamos buscar fazer mais e mais pontos. A ideia é fechar o primeiro turno com uma marca histórica, bater todos os recordes possíveis. Salvo engano, podemos bater a melhor campanha de um time do Nordeste no 1º turno da Série A – a marca pertence ao Vitória, que fez 32 pontos em 2008, e o segundo é o Sport, com 31, em 2015.

Então quer dizer que uma vaga na Libertadores é uma realidade? Você, o elenco, a comissão técnica creem que é possível?

Flávio - Já são 31 anos sem o clube disputar uma Libertadores. É muito tempo para um clube do tamanho do Bahia. E isso nos motiva ainda mais. Desafios são sempre motivadores. Sabemos do nosso potencial. O professor Roger faz um excelente trabalho. E digo que sim, a Libertadores é possível. Não é apenas um sonho possível, é uma realidade. Mas temos que manter os pezinhos no chão, fazer um jogo de cada vez, pois é isso que tem dado certo. Metas curtas. Vamos somando pontos, calculando e mirando onde podemos chegar. Não estamos com oito jogos de invencibilidade por sorte, são três triunfos seguidos. Não é sorte, não tem como ser. É organização, trabalho, foco. Já são dez jogos sem tomar gol.

Por ter sido revelado no Vitória, você chegou sob desconfiança. Para complicar ainda mais, foi improvisado diversas vezes na lateral. Como era e como está a relação com a nação tricolor?

Flávio- A torcida teve um pouco de receio, reconheço. Ter jogado no maior rival... Sabe como é. Era de se esperar esse pé atrás. Mas, na verdade, na verdade, eu esperava até uma situação mais complicada. Foi até muito melhor do que eu esperava (risos). Mas a torcida do Bahia tem sido muito carinhosa.

E essas improvisações na lateral eram por vontade de jogar ou por falta de chances?

Flávio - Desde que cheguei, sempre me coloquei à disposição para ajudar no que fosse preciso. Eu só queria mostrar meu futebol, mostrar que merecia estar no clube. Joguei na lateral direita, até na esquerda [contra o Botafogo, no jogo de volta das oitavas de final da Copa Sul-Americana, em 2018]. O professor Enderson [Moreira] me chamou e eu aceitei a missão. Eu não estava atuando muito, buscava meu espaço e fui aceitando as chances, mesmo não sendo na minha posição.

Mas e qual é a posição em que você realmente gosta de atuar?

Flávio - Joguei muito tempo de meia. Comecei na base como meia. Mas subi para o profissional, no Vitória, como volante. Em 2015, o técnico Wesley Carvalho me deu até a 10 na Série A. Mas a minha sempre foi ser volante. Vim para o Bahia para ser volante. É onde me sinto bem, onde rendo mais em campo. Sou um segundo volante que gosta de jogar pelo meio. Gosto de abrir espaços para dar opção de passe, de jogar em profundidade, sempre auxiliando Gregore, marcando, fechando.

Como foi essa transição de interrogação para titular absoluto?

Flávio - Sempre trabalhei para ser titular, sempre deixei claro que esse era o meu maior objetivo. Respeito todos os companheiros, sempre. Esperei a minha oportunidade e trabalhei muito para aproveitar a chance quando ela aparecesse. Ela apareceu e acredito que soube aproveitar, estou aproveitando.

A diretoria tem feito diversas ações sociais e se destacado fora do campo. Como isso impacta o elenco?

Flávio - Isso nos dá muito orgulho. Fazer parte desse momento, com grandes ações sociais, aliadas com ótima campanha em campo. Falo não só por mim, mas por todos do elenco: estamos orgulhosos. (...) Fazer parte desse momento é incrível. Pagam em dia, cumprem os acordos. São pessoas sérias. E ter pessoas sérias à frente do clube nos dá tranquilidade para entrar em campo e fazer o nosso melhor, de só pensar em jogar futebol e alcançar nossas metas. Lembro bem da ação para reconhecimento da paternidade. Foi espetacular. Os outros clubes deveriam seguir as coisas que o Bahia tem feito, as campanhas sociais.