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Qui, 26/09/2019 | Atualizado em: 26/09/2019 às 07h31


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Amadeu solta o verbo! "Não havia motivo pra pedir demissão"

Alex Torres
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Apesar de relâmpago, a passagem de Carlos Amadeu no comando técnico do Vitória foi a mais proveitosa dentre os treinadores que assumiram o clube nesta temporada. Com exatos 42 dias e nove jogos disputados, o comandante derrubou o tabu de triunfos fora de casa e conquistou um aproveitamento de 48%. Em entrevista exclusiva ao Grupo A TARDE, o técnico abriu as portas de sua casa e falou sobre o período em que esteve no comando do Leão.

Acha que sua saída do Vitória foi precipitada?

Amadeu - Eu diria que quem dirige e está à frente do processo toma a decisão que lhe cabe. Essa foi a decisão tomada pela direção do clube e cabe a gente respeitar. Mas eu entendo que todo trabalho precisa de um tempo de maturação e, quando temos foco neste processo, e não foco no resultado em imediato, vai surtir efeito desde que você escolha as pessoas corretas. Se você coloca uma pessoa em um cargo, precisa que seja dada confiança e credibilidade que, naturalmente, as coisas irão fluir de forma tranquila.

No entanto, em decorrência do contexto que o clube vivia na temporada, essa ideia de resultado imediato não era primordial?

Amadeu - Creio que sim, sempre o resultado será prioridade no futebol. Mas acredito que com o treinador anterior, Osmar Loss, pode ser que viesse também. Não estou defendendo a figura do comandante "Carlos Amadeu", eu estou defendendo o processo que, na minha visão, é mais importante. O resultado pode não vir de imediato, apesar de que veio comigo e vencemos os primeiros dois jogos. Nos sete primeiro jogos, tivemos um aproveitamento de 64%. O problema é que antes o time tinha um aproveitamento de 26%.

Existe algum motivo que você percebeu que pudesse relacionar esse mau momento do Vitória?

Amadeu - É difícil falar do que precedeu a minha chegada. Mas o que pude perceber no período que passei, é que havia uma comissão técnica comprometida, competente e via um grupo de atletas querendo mais, porém inseguros com o baixo rendimento. No entanto, eles percebiam que já havia, mesmo que pequena, uma crescente no período pós-Copa América, com Osmar Loss. Enquanto os demais clubes tiveram recesso, eles estavam lá trabalhando e não tiraram férias.

Como foi o contato com o presidente Paulo Carneiro informando a saída?

Amadeu - Pela manhã, eu recebi uma série de telefonemas muito cedo e depois peguei as mensagens com alguns sites divulgando o meu "pedido de demissão". Tratei de entrar em contato direto com minha assessoria e desmentir o fato, porque não havia motivo algum para eu pedir demissão, nem passava pela minha cabeça essa possibilidade de sair do clube. Foram nove jogos apenas, 42 dias comandando e eu entendia que o aproveitamento era muito positivo. Quando desembarquei em Salvador (após a derrota para o São Bento), fui comunicado ainda no aeroporto sobre meu desligamento do Vitória. Quem me informou foi o Alarcon (Pacheco), gerente de futebol.

Como era a relação entre você e Paulo Carneiro?

Amadeu - Tranquilo. Sempre me relacionei muito bem com Paulo, desde minha primeira passagem pelo Vitória, entre 1991 e 1995. Naquela época, na base. Ele é um presidente mais atuante na rotina do clube, trabalha mais como um diretor de futebol e tem suas opiniões, seus pensamentos, mas também tem uma característica muito importante que é respeitar as decisões da sua comissão técnica.

Ainda existe alguma pendência trabalhista por parte do clube com você?

Amadeu - Legalmente, eles têm 10 dias para proceder o pagamento de todo o processo. Então, acredito que dentro de alguns dias deve estar tudo resolvido.