Nas Ruas

Ter, 05/11/2019 | Atualizado em: 05/11/2019 às 04h05


Nas Ruas

Protesto Ebó coletivo contra biblioteca flutuante

durval ferreira*
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A Frente Nacional Makota Valdina, grupo de defesa de religiões de matriz africana, promoveu, na manhã de ontem, um ebó coletivo no Terminal da França, em frente ao porto onde o navio Logos Hope está atracado. O protesto foi um repúdio à declaração de racismo religioso publicada pela OM Ships International, organização responsável pelo navio, no último dia 22 de outubro. Na mensagem, a ONG pedia orações por "proteção, força e sabedoria para os tripulantes durante a permanência do navio em Salvador - cidade conhecida pela crença das pessoas em espíritos e demônios". Batizado de "O demônio quem traz são vocês! A Bahia é de todos os Santos, encantos e Orisás!", o ebó coletivo reuniu seguidores de diversas religiões, como a espírita Lívia Almeida, 48 anos. "Não cabe mais, nos dias de hoje uma afirmação dessas. Eu sou espírita e vim aqui mostrar que a intolerância não tem vez. Fiquei muito triste com o que eu li, com esse ato desrespeitoso", disse.

Lindalva de Paula, uma das organizadoras do protesto, ressaltou o crime de racismo religioso cometido pela OM Ships. "Não temos como chamar de intolerância, pois não nos permite judicializar. Isso é racismo religioso. Toda a vez que recebemos manifestação de racismo religioso, a gente levanta e faz esse ebó pelo nosso direito de professar nossa fé", explicou.

* Sob a supervisão da editora Kenna Martins