Nas Ruas

Sex, 08/11/2019 | Atualizado em: 08/11/2019 às 04h05


Nas Ruas

Mulheres denunciam injúria racial na Concha

Jefferson Domingos
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"Lugar de preto e pobre é na arquibancada". Foram esses os absurdos que duas mulheres negras afirmam ter ouvido durante o show da cantora Ana Carolina, no dia 19 outubro, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), no Campo Grande. A comerciante Jamile Figueiredo, 25 anos, e a artesã, cantora e dançarina Luciana Baraúna, 37, que estavam no camarote do , teriam sido surpreendidas pelas palavras depreciativas e desrespeitosas de Lucia Maria Vieira Clark, 71. A suspeita, no entanto, nega ter usado os termos de cunho preconceituoso. "Só chamei elas de mal-educada", garante.

Pouco antes do final do show, agentes da 18ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) conduziram as três envolvidas para a Central de Flagrantes. Conforme descrito no Boletim de Ocorrência, policiais militares "encontraram Lucia Clark bastante exaltada" na Concha Acústica.

Em nota, a Polícia Civil informou que as partes prestaram depoimento na Central de Flagrantes, onde foi lavrado um flagrante por injúria contra Lucia Maria. A mulher foi liberada após pagamento da fiança arbitrada. Os advogados de Jamile e Luciana, no entanto, pretendem levar a denúncia ao Ministério Público do Estado (MP-BA).

Segundo relatos das denunciantes, as ofensas começaram porque Lucia queria ocupar um lugar específico no camarote. "Ela chegou e falou: 'saia daqui'. Como eu disse que não, porque cheguei primeiro, ela falou que 'lugar de preto e pobre era lá embaixo'", lembrou Jamile.

Dois vídeos foram feitos depois do ocorrido, quando elas ainda estavam na casa de show. Nas imagens, não é possível ouvir nenhuma das ofensas, mas Lucia Clark estava irritada e tentava impedir a gravação.