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Qua, 18/03/2020 | Atualizado em: 18/03/2020 às 04h01


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A bola não rola mais

Jefferson Domingos
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Os organizadores do Campeonato Baiano e da Copa do Nordeste decidiram suspender, por tempo indeterminado, as competições por causa do risco de contágio do novo coronavírus. A parada foi confirmada oficialmente na manhã de ontem.

No caso do Baianão, a Federação Bahiana de Futebol (FBF) voltou atrás na decisão de manter as últimas duas rodadas com os portões fechados. Na última segunda-feira, a entidade divulgou um comunicado anunciando que a competição não iria parar, porque, caso contrário, haveria um prejuízo sem precedentes para o futebol baiano. A FBF ainda justificou a decisão ao alegar que "os números confirmados no Estado da Bahia não justificavam uma paralisação".

Em contato com a reportagem do MASSA!, o presidente da Federação, Ricardo Lima, explicou o motivo da mudança. "A primeira decisão foi tomada baseada no consenso com todos os filiados, os quais entendemos, naquele momento, que podíamos fazer as duas últimas rodadas, antecipando e depois paralisar. Depois, já à noite, recebi ligações de alguns presidentes, que informaram que alguns atletas estavam temerários em ir a campo, e alguns municípios queriam proibir a prática dos jogos", explicou.

Conforme Ricardo Lima, diante do surgimento de novos casos da doença, uma nova reunião com todos os clubes foi realizada na manhã de ontem, quando ficou decidida pela suspensão da competição.

A Copa Nordeste planejava uma resolução parecida com a primeira do Baianão, e trabalhava a ideia de realizar a última rodada da fase de grupos, no próximo sábado, com os portões fechados para o torcedor. Essa informação foi confirmada ao MASSA! na segunda-feira por Eduardo Rocha, presidente da Liga do Nordeste, entidade responsável pela competição.

Ontem, no entanto, o Nordestão também alterou a sua rota, devido à pressão de alguns clubes participantes e paralisou de vez a realização dos jogos, após decisão da CBF.

Questionado pelo MASSA!, Eduardo Rocha tentou justificar a mudança.. "Você está vendo tudo fechado? Se alguém se contaminar e morrer, quem vai se responsabilizar? A Federação Pernambucana proibiu até os atletas de treinar. Como fazer uma rodada pela metade?", questionou. Sobre quais clubes tinham votado pela suspensão, ele não quis responder: "isso não importa".

Agora, restaram apenas as incertezas sobre os retornos do Baianão e da Copa do Nordeste. "É muito cedo para que a gente possa discutir, tanto é que coloquei por prazo. Caso tenha um controle, a gente retorna, caso continue se proliferando a cada dia, a gente vai notificar a CBF e ver o que acontece", disse Ricardo Lima sobre o Estadual.

Já Eduardo Rocha acredita no retorno do Nordestão, mas avisa: "O prazo de 10 a 15 dias é razoável para termos um quadro mais concreto".