Maria Gabriela Vidal*

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Indesejável acompanhante das mulheres, a TPM (tensão pré-menstrual) está longe de ser uma invenção do universo feminino. Cólicas, dor de cabeça, seios doloridos, oscilações de humor e uma incontrolável vontade de 'devorar até as paredes' são as mais famosas reclamações da mulherada. Já não bastassem os sintomas descritos, o isolamento social vivenciado pode agravar os sinais da TPM e fazer com que seja ainda mais difícil segurar a barra.

"Nesse período, os sintomas podem ser exacerbados, pois o confinamento e as incertezas frente à pandemia tendem a deixar a mulher mais emotiva, irritada, ansiosa e estressada", falou a ginecologista Daniela Braga.

Para explicar como a ansiedade influencia no temperamento feminino, a especialista garante que, quanto mais ansiosa, pior serão os efeitos sentidos: "A TPM relacionada à ansiedade ocorre pela queda do hormônio estrogênio, o qual diminui o estresse e permite uma maior liberação de adrenalina e cortisol. Portanto, nas mulheres que sofrem de TPM, quanto maior o grau de ansiedade, maior serão as alterações de humor".

Vítima dos sintomas, a estudante Maria Vitória Cardoso, 20 anos, relata sua dificuldade em atravessar o período pré-menstrual sem poder sair de casa. "Geralmente, quando a TPM começa a aparecer, a melhor maneira que eu encontrei para aliviar foi descontando tudo na academia. Em época de quarentena, continuar com a rotina de exercícios em casa é mais um desafio para a paciência, que já é curta nesse período", desabafou.

E, com as emoções à flor da pele, o consumo de alguns alimentos, sobretudo os docinhos, tende a ser uma forma de atenuar os sintomas, mas a especialista alerta que, passado o momento inicial, os parceiros do combate à TPM podem se tornar vilões.

"Durante a TPM, o organismo feminino produz menos dopamina, que é um neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar. A ingestão de chocolate, café e álcool reduz temporariamente os sintomas da TPM, mas o consumo excessivo dos mesmos tende a aumentar os sintomas de ansiedade e irritabilidade", contou a profissional.

*Sob a supervisão do jornalista Tiago Lemos