Esporte

Seg, 27/07/2020 | Atualizado em: 27/07/2020 às 06h26


Esporte

Experiência e foco em busca de mais recordes

pedro moraes*
A+ A-

A manutenção dos preparos físico e mental em meio à pandemia do coronavírus tem sido um dos principais desafios de vários desportistas visando a disputa dos Jogos Olímpicos, que agora acontecerá entre 23 de julho e 8 de agosto de 2021, em Tóquio. Adiado por causa da prevenção ao aumento do número de casos da doença, o megaevento esportivo contará mais uma vez com a ilustre participação do velejador, 13 vezes campeão mundial, Robert Scheidt. Será sua sétima Olimpíada, quebrando um recorde, já que nenhum atleta do Brasil na história competiu em tantas edições.

Remando contra as 'correntes' desfavoráveis da Covid-19, o detentor de cinco medalhas, sendo duas de ouro, duas pratas e uma de bronze, já garantiu uma das vagas da vela brasileira para a competição, quando disputou, em fevereiro, o Campeonato Mundial, em Miami, nos EUA. Agora, isolado com a família na sua casa no Lago di Garda, no norte da Itália, Scheidt se apropria da viabilidade de estar numa corrente marítima para condicionar os treinos na quarentena.

"Durante o período mais duro da pandemia, mantive o condicionamento físico treinando em dois períodos em casa. Tenho bicicleta, remador e pesos para musculação. No final de maio foi possível voltar a fazer atividades outdoor e velejar. Em julho, tenho feito sessões de treinos bem fortes com as equipes da Itália e da França, que vieram para o Lago Di Garda, local onde moro", revelou o velejador em entrevista ao MASSA!.

Na expectativa de representar o Brasil em mais uma disputa internacional, o veterano de 47 anos não esconde o desejo de subir ao pódio novamente. Haja vista a desistência de anunciar a aposentadoria no ano passado, quando decidiu se reinventar e apostar na capacidade de velejar em mais horizontes, o campeão entende que o currículo vitorioso pode alcançar mais metas, desta vez, a medalha olímpica no país nipônico.

"Eu havia pensando que não daria mais para competir de Laser, mas nunca disse que me afastaria da vela. Aconteceu que fiz alguns treinos e me senti bem. Depois entrei na Copa Brasil e fiquei com a medalha de prata. Falei com minha família e juntos decidimos que seria possível que eu me dedicasse para mais uma campanha olímpica na classe laser", explicou.

Nesse sentido, o espírito de vencedor mantém Robert Scheidt com sede de novas vitórias. "Eu sempre entro em uma competição preparado para dar o meu melhor e brigar por medalhas. Se for a de ouro, melhor", completou o focado atleta.

Conivente com o adiamento das Olimpíadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), o velejador, natural de São Paulo, precisará usar das estratégias adquiridas com muita experiência para passar o barco à frente de outros competidores. Isso porque vai competir na categoria Laser, a qual possui uma média de esportistas com 27 anos. No entanto, a diferença no vigor físico é apenas um detalhe para ele. "O Laser é um barco em que a forma física faz muita diferença. Mas eu já fui campeão mundial com 40 anos e, como disse, sigo me cuidando e treinando muito para seguir sendo um atleta preparado para enfrentar todos os desafios", indicou.

Em contrapartida, assim como qualquer outro competidor mundial, Robert também possui obstáculos que o tiraram de outros pódios na carreira. Por exemplo, em 2016, quando atuou na edição do megaevento do Rio de Janeiro. À época, a conquista de medalhas escapou por detalhes. Dessa forma, ele agora aproveita também o período livre durante o isolamento social para estudar regatas anteriores.

"Nesse tempo, aproveito para cuidar de detalhes fora da água e que são muito importantes, como estudar táticas e assistir vídeos de regatas. Além disso, tenho duas crianças pequenas em casa e foi bacana passar mais tempo com os meus filhos", lembrou o atleta e também papai.

*Sob a supervisão do editor Léo Santana