Maria Gabriela Vidal*

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Em versos de protesto embalados pelo swing baiano, a banda CongaGroove desponta na cena musical pela forma que trata vários temas, sobretudo o racismo e o empoderamento negro. Os integrantes da banda, formada em Candeias, buscam ressignificar o gênero originário da terra natal, o arrocha, e não à toa apostam no afrofuturismo no EP de estreia, “Mineápolis é Aqui”, já disponível nas plataformas digitais.

O próprio nome escolhido antecipa o que se pode esperar do trabalho. A referência à cidade americana, onde um homem negro foi morto por um policial branco em maio deste ano, motivou o grupo a “pesar a mão” e compor as canções que fazem parte do álbum, a exemplo da própria música “Mineápolis é aqui” e de “Reis e rainhas de black”.

A mistura do pagotrap, rap, afrobeat, dentre outros, deixa o ritmo da banda mais envolvente. “Vai Braba” e “Baile da nova” são bons exemplos.

“Se é pra lá que vai é porque vem de lá”, anuncia o vocalista e compositor Felipe Silva, 20 anos, o “Lippeh”. Para ele, dar voz à favela é um dos grandes objetivos da banda, que, em pouco mais de um ano, tem buscado evidenciar a questão racial com letras fortes.

“Nós que somos resistência somos os verdadeiros ‘guerrilheiros’, afinal, direta ou indiretamente, lutamos contra um sistema que todo santo dia tenta nos oprimir”, pontua.

“Nosso primeiro EP foi de experimento, de musicalidades, de beats. Um desafio grande para mim, que venho do pagode e pude me envolver com outros ritmos, inclusive com essa ‘pegada’ futurista do arrocha. Foi um projeto totalmente excitante”, diz o vocalista, compositor e percussionista Tarcisio Franco, 32, o famoso “Frank”.

Ao lado dele, a composição fica com o rock do guitarrista Ualisson Costa, 33, que atende por “Uzão”, e do dance music trazido pelo DJ e produtor musical, Claudivan de Souza Porto, 31, o “Marve BigHead”.

*Sob a supervisão do jornalista Tiago Lemos