Foto: Adilton Venegeroles / Ag. A Tarde Data: 14/10/2020

Profissionais procuram se adequar ao novo cenário para manter a rotina de aulas e reivindicam mais incentivos para assegurar qualidade ao ensino.

*Vitor Castro

Coragem, criatividade e persistência. Três palavras que descrevem bem como tem sido a rotina dos professores para enfrentar os desafios impostos pela profissão. Se ensinar já não era tarefa fácil, pôr em prática o ofício em tempos de pandemia se revelou ainda mais difícil. Com os impactos trazidos pelo novo coronavírus, professores, entidades e pesquisadores vinculados à área da educação ressaltam a importância de políticas públicas que promovam a inclusão digital para enfrentar a pandemia e se preparar para o futuro.

A internet é a aposta de muitos, mas sem uma boa conexão por grande parte dos alunos, o acesso à educação de qualidade pode estar distante. Para a professora Itana Lins, 55 anos, que há 30 anos ensina inglês, este está sendo um dos períodos mais atípicos da sua carreira. As dificuldades em se adaptar foram muitas. Desde mostrar a própria casa a entrar na casa do aluno.

Além disso, a professora ressalta as mudanças que vem observando com o passar do tempo. Se antes o docente era o detentor do conhecimento dentro da sala de aula, agora ele assume papel de facilitador, e o protagonismo é do aluno, que nem sempre está atuante nas aulas virtuais. “Não pode ser uma aula em que o professor só fala, o aluno escuta e não participa. Os pequenininhos participam mais, mas o adolescente é mais difícil de abrir a tela. Tem sido um trabalho solitário”, relatou

Para a doutora em educação e professora da Faculdade de Educação da Ufba Telma Brito Rocha, é preciso deixar de lado a concepção de ensino remoto, massivo e que reproduz o modelo da escola presencial no online. Ela defende a atuação do Estado na promoção do acesso à internet de estudantes, seja com pacote de dados ou outro meio, possibilitando aulas, e envio de tarefas por exemplo, além do uso de outros meios como rádio e televisão como alternativas.

*Sob a supervisão da jornalista Hilcélia Falcão