Márcio Cunha / AFC

Por Daniel Dórea

Ainda há tempo. Restam pouco mais de três meses de competição, com 22 jogos a fazer. O Vitória está mal na classificação, é verdade, vê o G-4 da Série B a oito pontos de distância, mas neste sábado, 17, mostrou sinais de reação, de que ainda pode buscar o acesso.

Diante do time que tinha até a bola rolar o melhor aproveitamento da Segundona, o Vitória se impôs. Controlou as ações na maioria do tempo e conseguiu um empate com a vice-líder, Chapecoense, melhor mandante do campeonato, fora de casa: 1 a 1.

Com a evidente evolução apresentada logo no segundo jogo sob o comando do novo treinador, Eduardo Barroca, o Rubro-Negro esboça um recomeço. Agora, precisa confirmar essa recuperação de ânimo no seu próximo desafio, quinta-feira, diante do Guarani, no Barradão. O compromisso seguinte da Chape é um encontro entre times no G-4: na terça, visita a Ponte Preta.

Leão não se intimida

Mesmo fora de casa e em terreno hostil, já que a Chapecoense ainda não foi batida na Arena Condá, o Vitória não se intimidou e executou sua proposta de tomar a iniciativa. Dominou o meio-campo e ocupou o setor ofensivo nos minutos iniciais.

Entretanto, faltava variação de ideias. Sobravam as tentativas em bolas paradas e cruzamentos. Aos cinco minutos, Thiago Carleto arriscou em cobrança de falta de muito longe. O goleiro encaixou. Aos 12, Léo Ceará cruzou e, após desvio na zaga, João Ricardo fez nova defesa.

Após o ímpeto inicial, o jogo se apresentou ao gosto da Chape, segura na defesa e cruel nas subidas ao ataque. Aos 23 minutos, em sua primeira chance, saiu o gol. Paulinho Moccelin recebeu na esquerda da área e chutou para as redes.

Logo na sequência, Alisson Farias tentou dar uma resposta rápida. Mas, acionado na área, bateu por cima. E o Leão ainda teve outras duas oportunidades de empatar. Aos 41, Carleto lançou para Ewandro, que, livre, inventou um voleio mirabolante e a finalização saiu fraca. O melhor lance saiu quatro minutos depois, quando Leandro Silva cruzou, Alisson Farias cabeceou firme e João Ricardo salvou.

A equipe anfitriã também poderia ter ampliado em um par de jogadas bem tramadas. Aos 26, Anselmo Ramon recebeu na entrada da área e mandou uma pancada de canhota. Passou muito perto. Já aos 44, o ex-rubro-negro Felipe Garcia avançou pela direita em contra-ataque e tocou para Moccelin, que passou um pouco da bola e acabou isolando.

Saldo da primeira etapa: equilíbrio no jogo, vantagem da Chape no placar. Faltava ao Vitória maior objetividade na construção ofensiva para furar a melhor defesa da Série B. Para a segunda etapa, entretanto, o técnico Eduardo Barroca fez apenas uma substituição, forçada. Com dores nas costas, o meio-campista Gérson Magrão deu lugar a Lucas Cândido.

E o Leão começou a etapa complementar do mesmo jeito que iniciou o jogo: dominando as ações, mas sem levar grande perigo. A chance inaugural foi da Chape, aos oito minutos, com Moccelin. Acionado nas costas de Leandro Silva, ele tentou o cantinho e errou por pouco.

Ao notar a necessidade de dar novo gás ao ataque, Barroca lançou logo aos 11 minutos Vico e Juninho Quixadá. E as mudanças não demoraram a dar resultado. Quixadá arriscou dribles dentro da área e foi parado com falta por Felipe Garcia. Pênalti. E Thiago Carleto, aos 16 minutos, não desperdiçou. Vazou a defesa da Chapecoense pela primeira vez na Arena Condá.

Aí foi a vez de o técnico Umbertou Louzer mexer. Um dos jogadores que entraram no segundo tempo, Lima tentou da entrada da área aos 26 minutos. Ronaldo pegou. O Vitória insistia. Aos 33, Léo Ceará recebeu de frente para João Ricardo, driblou o goleiro, mas, com pouco ângulo, acertou a rede pelo lado de fora. No minuto seguinte, Lucas Tocantins tirou tinta da trave. A partida tinha virado trocação.

Aos 37, Carleto bateu falta próxima à área. João Ricardo deu rebote, mas depois segurou o chute de Lucas Cândido. Na sequência, Tocantins tentou de novo, para defesa fácil de Ronaldo. Apesar de dar algum espaço para contra-ataques, era o Leão que imperava. E, aos 39 minutos, Léo Ceará perdeu gol incrível de cabeça. Foi a última chance. O Vitória chegou à quinta partida seguida sem vencer, mas não está morto.