Foto: Adilton Venegeroles / Ag. A Tarde

*Vítor Castro

No Novembro Azul, mês de alerta para o diagnóstico e tratamento precoce do câncer de próstata, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) lançou a campanha “Câncer de próstata em travestis e mulheres transexuais, vamos tocar nesse assunto?”.

Para a presidente da Antra, Keila Simpson, a falta de dados específicos sobre esta população reflete o fato deste grupo social nunca ter estado em posição prioritária. Ela acredita que uma outra razão para ausência dos dados é a baixa expectativa de vida das mulheres e travestis. “Isso porque o diagnóstico é mais comum para a população com mais idade e, até bem pouco tempo, a população trans tinha uma média de vida muito curta, de 45 anos”, explicou.

Para o médico Frederico Mascarenhas, chefe do setor de urologia do Hospital São Rafael (HSR), é indispensável o diagnóstico precoce da doença, uma vez que a possibilidade de cura pode chegar a 95%. “Isso porque é um tumor que cresce lentamente e para dobrar de tamanho leva em média de um a dois anos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Urologia orienta a investigação anual para homens em geral a partir dos 50 anos e para aqueles com histórico familiar a orientação é que as investigações comecem aos 45 anos”, explicou.

Segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) a estimativa é de que, este ano, a cada 100 mil homens, 72,4 desenvolva a doença no Nordeste. No ano passado, na Bahia, 1.333 homens morreram com a doença. Para Salvador, de acordo com o levantamento, a estimativa de novos casos é de 1.090 diagnósticos. O que equivale a 78,8 casos a cada 100 mil habitantes.

*Sob a supervisão do jornalista Luiz Lasserre.